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ALTA FLORESTA - O programa Globo Rural apresenta esta semana uma série de reportagens especiais sobre os animais que estão ameaçados de extinção. A onça pintada foi tema de um dos programas exibidos este mês.
Para mostrar a influência do desmatamento na vida dos animais, o programa deu enfoque ao município de Alta Floresta, no norte do Mato Grosso. Está distante 800 quilômetros de Cuiabá. Na cidade, a principal fonte de renda vem da pecuária, com rebanho em torno de 700 mil cabeças de gado.
A grandeza da boiada reflete algo que merece atenção. Segundo o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, seis em cada 10 hectares do município já foram abertos, ou para lavouras ou para pastagens.
Se a floresta some, quem vive nela também some. Entre eles, um dos maiores felinos das Américas: a onça-pintada. Quando adulta, alcança 2,40 metros de comprimento e pesar até 158 quilos.
No Brasil, o animal pode ser encontrado na Mata Atlântica, no cerrado, caatinga, no Pantanal e na região Amazônica, o que inclui a cidade de Alta Floresta.
Por esse motivo, há sete anos, a bióloga Fernanda Michalski foi para a região. Com uso de máquinas fotográficas especiais, consegue acompanhar as andanças do bicho.
A gente está vendo como que os animais estão percebendo a paisagem fragmentada, como a região de Alta Floresta e se elas estão utilizando essas áreas de beira de rio ou não, explica Fernanda Michalski, bióloga.
O trabalho compreende a uma área de dois mil quilômetros quadrados. A pesquisa revelou que existe uma onça para cada 10 mil hectares. Um sexto da quantidade existente no Pantanal.
Só em uma fazenda são quatro mil cabeças de gado. Todo mês é certo que quatro animais serão atacados. A fazenda reage de uma forma diferente. Não se mata onça. É ordem do patrão.
Ele não aceita de jeito nenhum matar. Ele protege muito elas, nunca deixou matar, revela Osmano Souza Porto, capataz.
É muito importante que as presas naturais sejam preservadas para que a onça não seja forçada a atacar o gado doméstico, explica a bióloga.
Seu Geraldo é um exemplo de mudança. Ele foi caçador de onça durante 30 anos, mas hoje é assistente da bióloga. A gente vai se conscientizando de que tem que preservar. A verdade é essa, porque antes a gente não tinha essa consciência e matava mais por instinto mesmo", afirma Geraldo Correia Araújo, assistente da bióloga Fernanda.
(Com informações do Globo Rural)
Fonte: Portal Amazônia